Antes de entrar na parte técnica, preciso dizer que o filme é encantador. Você sai da sala de cinema com uma vontade genuína de dançar. Como bem definiu a crítica Isabela Boscov, a narrativa tem um tom quase fantasioso. Mas, como o nosso foco aqui é a Direção de Fotografia, vamos a ela.
No que diz respeito à iluminação, achei o trabalho extremamente convincente na recriação visual da época. Se utilizaram LEDs modernos camuflados em vez de lâmpadas halógenas ou de descarga, sinceramente não sei dizer. Mas uma coisa é certa: o resultado parecia absolutamente autêntico. Tudo funciona de forma muito orgânica e bem resolvida, a ponto de convencer até o exigente Joe Jackson, pai do Michael.
Faço aqui uma pequena digressão. Senti falta de uma menção ao desenho animado The Jackson 5ive. Era uma animação muito divertida e foi justamente nela que muitos conheceram a Rose, a cobra de estimação que também aparece no filme.
Mas o aspecto mais interessante da Direção de Fotografia assinada por Dion Beebe está, ao meu ver, na forma como a linguagem visual acompanha o crescimento da fama dos Jackson 5 e, posteriormente, do próprio Michael.
No primeiro show do grupo, a câmera nos mantém afastados do palco. À medida que a trajetória dos irmãos ganha força, os enquadramentos se aproximam gradualmente. Em determinado momento, estamos sentados na primeira fila. Pouco depois, é como se estivéssemos assistindo ao espetáculo de cima do próprio palco.
Considero essa uma escolha de linguagem visual brilhante. Ela traduz de maneira extremamente eficiente como a ascensão de Michael Jackson esteve diretamente ligada ao desejo coletivo de nos aproximarmos cada vez mais dele. A cada novo sucesso, a distância entre artista e público diminuía, e a fotografia consegue transformar essa sensação em imagem.
Para mim, esse foi o grande trunfo da fotografia do filme: utilizar o posicionamento da câmera não apenas para mostrar a história, mas para fazer o espectador sentir a dimensão do fenômeno que Michael Jackson se tornou.


